Quando cheguei ao mundo fiquei
bestificado como tudo era tão no seu lugar, tudo era tão metrificado,
milimetricamente planejado para aquelas pessoas de movimento, até os animais
eram perfeitamente envolvidos no metro. Formas redondas, quadradas, cúbicas,
angulares, alinhadas etc. Fisicamente tinham todos números para todos, até
psicologicamente a medida era certa, o som, o cheiro, a voz, a palavra, a
imagem etc.
Visto, logo sou, olho, logo
quero, penso, logo não posso mais dizer o que estou pensando. Ter é ser, o ser
foi bem esquecido.
Um dia, andando por aí, coloquei
uma camisa milimetricamente tendo forma de tórax, entrando nos braços encaixando-se
certamente, as calças subiram de modo que entrou nas minhas duas pernas sem
sobrar perna e ainda coloquei o cinto que depois virou uma convenção da
sociedade para se tornar mais elegante, envolto a cintura. Os pés levavam uma
meia que amaciava, e na verdade nem precisava, para recepcionar os tênis que
entram juntamente com os cadarços para fixar e segurar nos pés. Em cima a
frente dos olhos coloquei os óculos com suas duas lentes que melhoram o olhar,
mas não nos melhora, e sua haste encaixava por cima das orelhas onde os buracos
recebiam os fones de ouvido que trazia um heavy
metal pesado, som vindo diretamente digital de um cartão de memória amnésica
lido pelo celular ultrapassado de outra geração.
Deste modo vestido fui enfrentar
um mundo praticamente inacabado teoricamente acabado. Este mundo não se
encontra com o meu, meu caráter é outro.
Renato César