domingo, 3 de junho de 2012

Mundo acabado


Quando cheguei ao mundo fiquei bestificado como tudo era tão no seu lugar, tudo era tão metrificado, milimetricamente planejado para aquelas pessoas de movimento, até os animais eram perfeitamente envolvidos no metro. Formas redondas, quadradas, cúbicas, angulares, alinhadas etc. Fisicamente tinham todos números para todos, até psicologicamente a medida era certa, o som, o cheiro, a voz, a palavra, a imagem etc.
Visto, logo sou, olho, logo quero, penso, logo não posso mais dizer o que estou pensando. Ter é ser, o ser foi bem esquecido.
Um dia, andando por aí, coloquei uma camisa milimetricamente tendo forma de tórax, entrando nos braços encaixando-se certamente, as calças subiram de modo que entrou nas minhas duas pernas sem sobrar perna e ainda coloquei o cinto que depois virou uma convenção da sociedade para se tornar mais elegante, envolto a cintura. Os pés levavam uma meia que amaciava, e na verdade nem precisava, para recepcionar os tênis que entram juntamente com os cadarços para fixar e segurar nos pés. Em cima a frente dos olhos coloquei os óculos com suas duas lentes que melhoram o olhar, mas não nos melhora, e sua haste encaixava por cima das orelhas onde os buracos recebiam os fones de ouvido que trazia um heavy metal pesado, som vindo diretamente digital de um cartão de memória amnésica lido pelo celular ultrapassado de outra geração.
Deste modo vestido fui enfrentar um mundo praticamente inacabado teoricamente acabado. Este mundo não se encontra com o meu, meu caráter é outro.

Renato César

Nenhum comentário:

Postar um comentário