É inegável que os meios de
comunicação – jornal impresso, rádio, televisão e, hoje, Internet – desempenham
um papel importante na sociedade. É por meio desses canais de informação que
temos acesso às notícias do esporte, da política, da sociedade em geral, e
quando se diz geral é geral mesmo. Porém, seria mesmo inteligente da parte do
leitor do jornal, do ouvinte do rádio, do telespectador e do internauta confiar
em toda sorte de informação transmitida pelos diversos meios sem que eles
tivessem feito antes uma reflexão sobre sua forma de organização, sobre a sua filosofia
e posição social e política, enfim, sobre suas tessituras e retalhos
informacionais? No atual contexto social, sendo a televisão, ainda hoje, o meio
de comunicação mais usado pela população, questiona-se: qual é o seu papel na
sociedade?
Quando se pensa em meios
de comunicação o que vem a nossa cabeça é sua função informativa, mas quando se
pensa a televisão como meio de comunicação as concepções se distorcem, e até
mesmo, se confundem. A começar por seus administradores, que, defendem este ou
aquele ponto de vista, esta ou aquela posição partidária, ou seja, a informação
é sempre contada pela metade, aliás, ela é às vezes omitida. Nos anos idos da
ditadura um certo canal televisivo se associou aos anseios dos militares, os
apoiando, afinal, ninguém estava louco a ponto de desafiá-los, o papel dessa
televisão era manter a sociedade calada, usando a alienação como meio de
controle social.
Vencida a ditadura a
televisão ganhou uma tal liberdade que extrapola os limites, chegando a assumir
uma tal libertinagem que ascende os degraus do nonsense. No final dos anos 80 o rock nacional despontava e despertava a rebeldia (a boa rebeldia)
juvenil, falando em rock, um dos
momentos bizarros e irônicos da TV se deu no Cassino do Chacrinha quando Os Titãs interpretaram a música “Televisão”. Pergunta-se: “a ironia
estava no fato de a banda estar criticando a televisão em um programa de TV ou de
a televisão estar tirando sarro de seus telespectadores ‘burros’?” Questão sem
resposta. Chega-se aos 90 e o papel alienador dos meios de comunicação
continua, agora a população estava segurando o tchan e descendo na boquinha da garrafa, enquanto um político é
cassado e sofre impeachment, este
político que, aliás, tinha um sistema de televisão a seu favor. Nos nossos dias
assistimos, como outrora, a máxima de Rousseau de que “o homem nasce bom e
feliz, mas a sociedade o corrompe” – televisão corrompe a sociedade.
Assistimos hoje a assunção
do quarto poder e do nonsense já
interpretado pelo teatro do absurdo – déjà
vu? A televisão informa para seus telespectadores que eles precisam dela,
haja visto a casa que ela reforma, a viagem de volta à terra natal que ela
promove, o namorado ou a namorada que ela arruma... Não importa se aqueles que
se submetem aos programas televisivos sejam envolvidos em situações de total
desconforto e constrangimento. Além de todos estes benefícios que a TV promove aos
telespectadores, ela faz de anônimos celebridades, vale dizer, pessoas que não
têm um mínimo de senso crítico sobre seu papel na sociedade, e nós já fomos
mais inteligentes (Carlos Nascimento).
Diante deste show de horrores, da vida posta a
mostra, da exposição ao ridículo, da falta do senso crítico negado à sociedade,
a Internet aparece como meio de comunicação da livre expressão, onde todas as
vozes podem ser ouvidas, onde as opiniões não são castradas. Seria a Internet o
meio de contestação da sociedade pós-moderna? Tem-se com ela a liberdade de
crítica e formação de pensamento ativo, porém, resta-se perguntar até quando.
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